Cobranças. E eu só tenho 19 anos. Preciso lutar pelo meu direito de errar. Parece que junto com a força da gravidade vem um montão de coisas te empurrando para baixo. De uma coisa eu tenho certeza, ninguém nunca será perfeito, nem o mais perfeccionista dos seres. Sempre vai faltar algo e sempre vai ter alguém para perceber o que está faltando. Se eu continuar me importando, vou enlouquecer. E já não sou tão normal. Cansado de mim. Das pessoas. Do arco-íris. Das cores. Do preto. Do branco. Não digo que morro. Ainda tenho esperança no sol nascente e em mim. E nas pessoas.
A vontade que eu tenho é de ingerir substâncias que causariam mutações genéticas. Depois disso nunca mais seria o mesmo. Por isso não faço.
Imposto e exposto
Posted on 09 agosto, 2010 - 0 comentários -
Não acredito em gêneros. O "masculino" que foi imposto. Existem várias maneiras de ser masculino, inclusive maneiras alternativas. Sempre me perguntam quem outorgou esse "masculino" que tanto falam. A caricatura acaba existindo como forma de auto-afirmação. Dentro de personagens existem outros personagens cíclicos. Eu sei que dentro disso tudo existe um alguém. Não, eu já me libertei dessas amarras. Hoje me sinto livre pra ser. O que vem de dentro procuro expor. Não de forma precária. Exponho de forma artística. Sinto falta de meus pensamentos. Sinto falta de escrever. Sinto falta de ler. Sinto falta de meus devaneios. Procuro existir dentro do que eu vivo. Converso com amigos e sinto vontade de tê-los comigo o tempo todo. Não acho que seja carência, acho que seja dependência. Também procuro momentos de solidão, mas sempre há a hora de quebrar esses momentos. Eu gosto do desgosto e do oposto. Também gosto do desoposto. Odeio o imposto. A liberdade tem limite, mas eu não quero conhecê-lo. Me deixa, me larga, me solta, me empurra para o sempre. Pode me agarrar, mas um dia eu vou me soltar. Sempre.
O cavalo
Posted on 29 julho, 2010 - 2 comentários -
Eu desaprovo o sistema que me outorga. Quero cada vez mais sentir o cheiro da terra. Fincarei meus pés em solo virgem. Eu peço para que façam silêncio. As rodas dos carros desobedecem. Os prédios não me deixam ver o nascer do sol. Sol que nasce todo dia. Eu que morro ao nascer. O freio é o transtorno. Agora silenciou. Por um minuto. Logo voltam a berrar. O ônibus não chega. Queria sair voando. O sol hoje está falante. Me deixa voar? Sinto um cheiro de pássaro morto. Peço perdão. Sei que também sou culpado. Vejo um cavalo a cavalgar em plena avenida sendo chicoteado por um rapaz. De tanto não falar mordi minha língua. Entrei no ônibus. Ele que anda por mim. Tudo deveria ser perto. Sinto falta de meus índios e de meus avós. Vejo uma marca de tiro no vidro do ônibus e uma filha ajudando sua mãe idosa. Carros óbvios. Cheiro de gasolina. Uma bolsa de retalhos. A mulher desceu do ônibus e morreu. Atropelada.
Olhar que engana ou Eu sei o que vi
Posted on 04 julho, 2010 - 2 comentários -
Minhas vontades gritam. Eu não tenho vergonha de ter recalque. Penso muito e deixo meus pensamentos passarem. Eles gritam. Eu penso demais. Eu penso em despensar. Vontade de ser irracional. Eu já cansei de tanta coisa, depois volto e aprendo a não mais cansar. Tudo é tão passageiro em mim. Em questão de minutos. Tudo em mim é mais rápido. Nada em mim permanece. Eu sei que existo e minha existência é muito forte. Uma força que incomoda e que não é fácil de digerir. Sorrio apenas para o sorrível. Eu expresso demais e não escondo quase nada. Quando penso que estou escondendo meus olhos falam por mim. Meu rosto que fala. Só não enxerga quem não tem olho. Se eu estou cansado é porque eu já cheguei ao meu limite. Meu limite talvez seja fácil de ser atingido. Eu não nasci pra que ninguém goste de mim, se as pessoas gostam o culpado não sou eu. Não preciso ser otimista. Eu nasci pra morrer, mas não quero morrer agora. Eu nasci. Eu nasci. Eu nasci, então existo. Quero existir ao menos para uma pessoa e se somente essa pessoa achar que minha existência foi válida, eu estarei feliz.Talvez um dia. Não me olhe se o olhar não era pra mim. Aprenda a direcionar a merda do seu olhar, filho da puta.
um movimento ou uma pergunta
Posted on 05 junho, 2010 - 0 comentários -
Trabalho com o é secretado. Escondido em mim. Arrancado de dentro. Eu sou a secreção do teu hálito. O escarro de ti. Supostamente me inebrio e não sei mais onde volto a aparecer. Sei que me escondo, mas não deles, eu me escondo dos olhares de dentro. Eu me escondo dos meus olhos e da voz impostada com que tentam me convencer. Eu tento trabalhar o cansaço, mas não da forma em que ele está. Trabalho em cima de uma exaustão imposta. Se o ser pensante fica apenas no racional, ele morre. Eu sei que as gotas estão ficando cada vez mais ásperas e um dia quero olhar para um filho e ser chamado de pai. Eu não entendo porque minha respiração está tão pesada e ao mesmo tempo eu me sinto tão leve. Livre. Solto. Eu respiro o que vem de dentro. Respiro pra dentro, pois já soltei tudo pra fora. Soltei em forma de uma urina escura, áspera. Eu não aprovo a lei que me outorga. A minha liberdade é o que ainda vou ser. Não sei. Quero pensar e quero transmitir com meu corpo, através de uma movimentação com significado. Não, isso é apenas o que eu quero, não o que eu sou. Talvez. Meus passos dirão por mim. E o que resta agora? Fechar os olhos e caminhar com a energia que vem em frações de segundo.
Livremente inspirado no profissional Eduardo Poulain
eu nomeado, eu desnomeado, eu rotulado, eu suposto, eu proposto, eu imposto ou meu nome
Posted on 31 maio, 2010 - 0 comentários -
Queria ser um homem de um nome apenas. De início demorei a ser o nome que me deram. Sempre que chamavam, ou gritavam, eu não respondia de imediato. Aquele som. Aquela musicalidade. Era estranha. Soava estranho. Criei um nome temporal. O nome que eu queria ser. O nome que talvez fosse meu. O nome que tomei pra mim. Me batizei. Meu nome artístico. Cheguei a acreditar que eu era aquilo, mas tive que me separar daquilo. Estava começando a me fazer um grande mal. Eu precisava ser meu nome. Eu era meu nome, não adiantava me enganar. Eu me enganei, isso. Comecei a me chamar. A sonorizar meu nome. Descobri um som diferente, mas agradável. Talvez fosse a maneira com quem chamavam o meu nome que não me agradava. A forma como tratavam o nome. Desnomeei. Me chamei. Hoje, me escuto. Hoje gosto. Hoje sou. Não apenas um nome. Não apenas o nome. Qual nome você me dá? Quantos nomes eu posso ter? .
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